Monumentos
Sepulturas escavadas na rocha
Um pouco por todo o concelho existem estes monumentos que são popularmente denominados de campas, campas dos mouros, túmulos entre outras denominações.
Algumas sepulturas apresentam a demarcação da cabeça e dos ombros, outras também dos pés, e por isso são chamadas de antropomórficas, outras mais simples são rectangulares ou ovaladas.
A maioria destas sepulturas surge-nos isoladas, sendo em menor número as que se encontram aos pares ou em grupos de três. As necrópoles, onde o número de sepulturas é elevado, são escassas, estando relacionadas com templos de fundação medieval, é o caso de Pindo e de Castelo de Penalva.
Estes túmulos eram escavados na rocha e posteriormente cobertos por tampa de pedra ou por terra. A cabeceira da sepultura era normalmente orientada a Oeste. Uma das explicações apontada para esta orientação é a crença cristã de que Deus apareceria a Oriente no dia do Juízo Final.
Na nossa freguesia as sepulturas de que temos conhecimento deverão datar dos séc.’s XI/XIII.
S. Marcos
Sepultura antropomórfica de cabeceira rectangular que se encontra num pequeno afloramento granítico nas traseiras da capela de S. Marcos. Está orientada a Noroeste.
Quinta da Aveleira
Na Quinta da Aveleira existem soterradas duas sepulturas escavadas na rocha de forma antropomórfica.
Nogueira
Existe referência a duas sepulturas na Nogueira que pertenceu ao Tio Amadeu dos Quintais (Carvalho, 1995).
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Cruciformes
Sacralização, protecção mágica, cristianização, são as diversas vertentes que a marcação de cruciformes em espaços tão diferentes como fontes, fortificações, fornos de pão, moinhos, monólitos significativos na paisagem, telhados de habitações, ombreiras de porta e janela ou tão só a massa do pão quando se deixa a levedar (…) são os diferentes e possíveis significados de que a marcação de um cruciforme pode revestir.
(Balesteros, 2006, p. 17)
Estão identificadas na nossa freguesia algumas pedras que apresentam gravadas diversas figuras, cujo significado não está claramente explicito.
Algumas destas figuras em forma de cruz, os cruciformes, são comuns na nossa região e são normalmente atribuídos aos cristãos-novos, ou seja a judeus convertidos, que as usavam para manifestar a sua nova fé.
Na parede da futura Casa de Apoio Social, que dá para a Tv. João Castilho, encontram-se duas pedras com gravuras. Estas pedras encontravam-se numa parede da casa que foi demolida para se proceder a esta nova construção.
A abreviatura IHS não constitui qualquer dúvida de interpretação, visto tratar-se de uma abreviatura cristã que ainda hoje se usa e que corresponde às três primeiras letras de “Jesus” em grego.
O símbolo que levanta mais dúvidas é a forma triangular ou de meia-lua encimada por uma cruz. Há autores que defendem que o triângulo representa o monte Horeb onde Moisés recebeu as tábuas da Lei. Cremos que poderá significar, igualmente, o Calvário onde Jesus foi crucificado e não estar apenas relacionado com a presença de cristãos-novos. Ainda no século passado se desenhava estes símbolos nas cangas dos bois, nas portas das adegas e lojas.
Numa casa na R. Cónego Jaime, n.º 9, encontra-se uma pedra que tem gravada uma cruz sobre um meio circulo. Sobre a cruz uma meia elipse raiada e por baixo dois “olhos”.
Recentemente, durante as obras para o novo fontenário e lavadouro da Ribeira, foi identificada na parede lateral da casa n.º 2 da R. da Calçada uma pedra com uma gravura.
Como nos informaram, a quando da construção desta casa foi dado valor a esta pedra e por isso foi incorporada na parede com a face gravada voltada para o exterior.
Interpretamos esta gravura de quatro formas distintas: um carro de bois, um orante (figura humana com os braços erguidos em oração), um candelabro ou um cruciforme, dependendo da posição original que se desconhece.
Em Penamacor foi identificada uma gravura semelhante na posição de cruciforme.
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Igreja Paroquial
A fundação da paróquia de Real deverá datar do séc. XV ou XVI altura em que a população do país cresceu e forçosamente teve que haver uma reorganização das paróquias. Antes pertencia à paróquia de S. Pedro de Castelo de Penalva, à qual ficou anexa depois da sua criação.
Em 1675 a paróquia de Real pertencia ao arciprestado de Penaverde e surge descrita na relação que o bispo D. João de Melo remeteu a Roma da seguinte forma:
Igreja do Real, invocação de S. Paulo, curado anual, filial da Igreja do Castelo. Tem sacrário, dois colaterais, invocações de Nossa Senhora e de S. Sebastião. Pessoas maiores duzentas e setenta, menores quarenta, Ermida uma. Estava falta de ornamentos de que se mandou prover em Visitação. (Alves, 1998)
Em 1699 é elaborado novo relatório por ocasião da visita ad limina de D. Jerónimo Soares. Continuava a pertencer ao arciprestado de Penaverde e foi assim descrita:
Igreja do Real, invocação de São Paulo, curado annual, filial da igreja do Castello, tem sacrário. Pessoas maiores 220, menores 40.
Em 1758 a igreja paroquial tinha o altar-mor, dedicado a S. Paulo, e dois colaterais, um dedicado a N.ª Sr.ª do Rosário e outro a S. Sebastião. Ainda hoje se conservam na Igreja, não nos altares colaterais mas em duas peanhas, uma imagem de S. Sebastião e outra de N.ª Sr.ª do Rosário.
Em 1856 o Pe. Francisco Pina erigiu em acto de gratidão um altar em honra de N.ª Sr.ª da Conceição, que se encontra na parede lateral esquerda.
Em 1866, em cumprimento de uma portaria régia, foram-lhe arrolados os seguintes bens:
- 2 casas de forno em muito mau estado, avaliadas em 24 mil reis;
- 1 rossio, chamado da Senhora, no sitio da Pé Redonda, que andava arrendado por 8 alqueires de centeio, avaliado em 48 mil reis;
- 1 belga, ao Vale das Peras, que estava arrendada por 7 alqueires de centeio ou milho, e foi avaliada em 33 600 reis;
- 21 oliveiras, a maioria insignificantes, que foram avaliadas em 20 mil reis:
4 no adro da Igreja;
3 nos Castinçais;
1 no chão de Manuel Maia, de Esmolfe;
1 no chão de Maria Bernarda;
1 no caminho do Calvário;
1 na tapada de António Homem, de Linhares;
1 no Lameiro das Figueiras, da orfã de António de Albuquerque;
1 no Lagedo em terras de José Maria de Pina;
1 no caminho que vai para o fundo do povo, onde chamam João Gomes;
3 onde chamam ao Altoeiro, terras de herança de [...] de Carvalho;
1 onde chamam ao Altoeiro, terras de José Ventura;
2 na Quinta das Casas, herança de António de Carvalho
Com a implementação do regime republicano em 1910 foi publicada a Lei de Separação do Estado e Igreja, que estipulava o arrolamento dos bens das paróquias. Os bens da nossa igreja paroquial foram inventariados a 31 de Julho de 1912.
À data existiam as imagens de N.ª Sr.ª da Conceição, S. Paulo, Santa Ana, Menino Jesus e S. Sebastião, bem como dois cálices de prata e respectivas patenas, e um cálice de prata que servia de custódia.
A N.ª Sr.ª da Conceição possuia um manto azul de seda, um colar de ouro e uma coroa de prata.
O S. Sebastião, ainda deveria estar no altar lateral, pois não é referida a imagem do Sagrado Coração de Jesus, e tinha um nicho móvel, assim como um resplendor de prata.
À N.ª Sr.ª do Rosário pertencia uma medalha de abrir, um fio de contas e um par de arrecadas tudo em ouro, que lhe deveriam ter sido ofertados por devotos.
Nas laterais do Sacrário estavam duas pequenas imagens, uma de S. Paulo e outra de S. Pedro.
Na sequência da Concordata entre a Santa Sé e o Estado Português de 1940, foi requerido o arrolamento dos bens do Benefício Paroquial. Foram assim arrolados a igreja paroquial com o seu torreão, sino e adro, a confrontar do Nascente com Maria Henriques, Norte estrada, Sul José Maria do Amaral Pereira e poente António Peralta Simões; e dezoito oliveiras situadas em diversos lugares de Real conhecidas por oliveiras do Santíssimo. Estes bens foram entregues pelo Estado à Fábrica da Igreja em 11 de Fevereiro de 1944.
Em 1991 foram restaurados os altares e os caixotões do altar-mor pela firma Domingos C. de Carvalho, pelo valor de dois mil contos. Nesta data foram retiradas as imagens que estavam nas laterais do altar-mor em frente das pinturas e colocadas em peanhas compradas para o efeito.
A fachada principal está voltada a Oeste, com embasamento saliente, rematada em empena contracurvada e recortada, pontuada por fragmentos de cornija, tendo cruz latina trifoliada no vértice, sobre plinto galbado. É rasgada por portal em arco abatido, com fecho saliente, encimado por janelão em arco abatido, com moldura de cantaria saliente e com vitral decorado por símbolos eucarísticos (cálice e hóstia).
No lado direito, a torre sineira de dois registos definidos por cornija, o inferior cego e o superior com quatro sineiras de volta perfeita, uma em cada face, surgindo sino apenas na face Oeste. A face Sul possui pequena janela rectilínea no registo inferior e a Este porta de verga recta, com acesso por escalinata de cantaria, com guarda-corpo metálico.
Fachada lateral esquerda virada a Norte, cega, sendo marcada pelo corpo da sacristia, rasgado por porta de verga recta e moldura de cantaria saliente, protegido por porta de uma folha de madeira almofadada, situada na face Oeste.
Fachada lateral direita virada a Sul, com porta travessa de verga recta, encimada por óculo circular, com rosácea, uma janela rectilínea, protegida por grades, surgindo uma segunda no corpo da capela-mor, em capialço.
Fachada posterior em empena cega, tendo, no corpo da sacristia, uma janela rectilínea gradeada.
Interior com paredes rebocadas e pintadas de branco, com pavimento em madeira e corredor central em granito, excepto no sub-coro, em cimento. O portal axial está protegido por guarda-vento de madeira e vidro. Coro-alto com guarda de madeira.
No lado do Evangelho, púlpito quadrangular, com guarda vazada de madeira e nicho de grandes dimensões, com porta em vidro e moldura em madeira, constituindo uma capela dedicada a Nossa Senhora da Conceição, onde surge uma placa com a seguinte inscrição: “P. FRANCISCUS N / APINAINSIGNUM / GRATIO HOC SUIS / EREXIT EXPENSIS = A = 18L6″ (Padre Francisco N. A. Pina em acção de graças erigiu isto a expensas suas. Ano de 1856).
Arco cruzeiro de volta perfeita, em cantaria, flanqueado por retábulos colaterais em talha dourada, dedicados ao Sagrado Coração de Jesus e a Nossa Senhora de Fátima.
Capela-mor com paredes rebocadas e pintadas de branco, percorridas por silhares de azulejo de padrão monocromo, azul sobre fundo branco, formando silhar, com pavimento em lajeado de granito e cobertura em falsa abóbada de berço de madeira, formando caixotões, pintados com imagens de santos, identificados por legendas.
Retábulo-mor de talha dourada e pintada de verde e vermelho, de planta recta e três eixos definidos por quatro colunas coríntias, surgindo elementos fitomórficos nas estrias e tendo o terço inferior decorado por acantos, assentes em bases paralelepipédicas, duas de cada lado, e encimadas por friso de acantos e cornija, flanquedo por apainelados de volumosos acantos, que se prolongam em três arquivoltas, a interna torsa, e ornada por elementos vegetais, constituindo o remate. Ao centro, tribuna em arco de volta perfeita, com a boca rendilhada, interior com cobertura em caixotões de madeira pintada de azul e o fundo pintado com elementos fitomórficos; possui trono expositivo de dois degraus, na base do qual se situa o sacrário, parcialmente embutido, com colunas torsas nos ângulos, que enquadram pequenos nichos nas ilhargas, sendo a porta ornada por um Cristo Redentor, rematada por frontão triangular. Os eixos laterais possuem apainelados rectangulares, pintados com São Pedro no lado do Evangelho e Santo António no oposto.
Igreja muito alterada ao longo do tempo, de provável fundação maneirista, de que restarão a janela da capela-mor e a porta travessa, tendo sido a fachada principal modificada no final da centúria de setecentos, com a introdução de empena recortada e interrompida por fragmentos de cornija, e dos vãos em arco abatido. A torre pode ser antiga, mas as sineiras datam, certamente do séc. XIX. A fachada principal é falanqueada por cunhais apilastrados, encimados por pináculos piramidais. Sobre a porta travessa, foi rasgado um óculo circular, com rosácea metálica, certamente do séc. XIX. No interior, destaca-se a cobertura em caixotões, com temática hagiográfica e o retábulo-mor, de estrutura do barroco nacional, mas com elementos típicos do joanino, revelando-se um exemplar de transição, visível nas colunas, nas bases das mesmas e no volume dos acantos.
A rodear o arco cruzeiro encontramos os dois altares colaterais, cujos retábulos são de talha dourada com elementos vegetalistas e aves de fénix. No do lado direito está a imagem de N.ª Sr.ª de Fátima e no do lado esquerdo a imagem do Sagrado Coração de Jesus. A imagem de N.ª Sr.ª de Fátima foi oferecida por D. Clotilde da Fonseca, tendo se efectuado a entronização da imagem a 5 de Agosto de 1928, proferindo uma alocução João Maria Domingos, aluno de teologia.
Do lado direito da capela-mor encontra-se a Sacristia, à qual também se tem acesso pelo exterior.
A festa anual do padroeiro é celebrada a 25 de Janeiro, dia em que a Igreja Católica celebra a Conversão de S. Paulo.
Nesta igreja encontra-se erecta a Irmandade das Almas que já em 1758 é referida pelo pároco.
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Capela da Ribeira
Desconhecemos a data de fundação de uma capela na Ribeira, a referência mais antiga é de 1758, data da Memória Paroquial já referida. Nesta data a invocação da capela era de N.ª Sr.ª da Ouvida e a responsabilidade pelo culto e conservação pertencia aos moradores. Não sabemos quando passou a ser designada por capela de St.ª Luzia, mas pelo menos há mais de 70 anos.
A 16 de Janeiro de 1946, quando foi arrolada no seguimento da Concordata já referida, foi designada de Capela de St.ª Luzia. Nesta data foram arrolados os seguintes pertences:
- A capela com seu sino e adro onde estavam três oliveiras;
- Paramento completo branco e vermelho;
- Cálice de metal dourado;
- Campainha em cobre;
- Duas oliveiras no baldio da Lameira;
- Uma oliveira no caminho da fonte (Hoje R. do Penedrão, junto da antiga “fonte de cima”)
Todos estes bens foram devolvidos à Fábrica da Igreja em 11 de Fevereiro de 1944.
Fachada principal voltada a Oeste, em empena com cruz latina no vértice, surgindo, sobre o cunhal direito, sineira de cantaria, em arco de volta perfeita e rematada por cruz. Era rasgada por portal de verga recta, com moldura simples de cantaria, flanqueada por dois postigos, com grades internas em ferro.
Fachada lateral esquerda virada a Norte, cega, sendo a oposta rasgada por porta travessa de verga recta e moldura simples, e por janela rectilínea a iluminar a zona do altar-mor. Fachada posterior em empena com cruz no vértice, cega.
Interior com paredes rebocadas e pintadas de branco, com pavimentos em cimento e cobertura interior em falsa abóbada de berço de madeira.
Na parede testeira, retábulo-mor de talha pintada de bege, branco e dourado, de planta recta e um eixo definido por duas colunas jónicas, assentes em plintos paralelepipédicos, com as faces pintadas, ostentando elementos geométricos, que suportavam fragmentos de friso e cornija, encimados por urnas floridas. Ao centro, nicho de perfil contracurvado, com o fundo pintado de azul e contendo mísula, flanqueado por dois painéis pintados, na base dos quais surgem mísulas onde estavam as imagens, protegidas por baldaquinos; a predela está pintada por dois santos em meio-corpo. Remate em espaldar curvo, com albarrada pintada e altar paralelepipédico, pintado de bege, com moldura dourada.
No interior existia um ex-voto de Nossa Senhora da Ouvida, primitivo orago da Capela, em forma de quadro que se encontrava pendurado numa das paredes. Este quadro narrava a graça recebida por um devoto. No retábulo existia, igualmente, uma imagem de um Menino Jesus.
No local da antiga capela foi erigido um pequeno monumento com uma maquineta onde foi colocada a antiga imagem de Santa Luzia.
No final do séc. XX, a 6 de Fevereiro de 1999, devido à exiguidade e ao estado de degradação do edifício, decidiu-se a construção de uma nova capela no cimo da aldeia. Faziam parte da Comissão da Capela os Sr.s José Carlos Almeida, Inácio Saraiva Bernardo e Augusto Almeida. Foi benzida a 22 de Agosto de 2001, por D. António Monteiro, bispo de Viseu, sendo pároco o Pe. Delfim Dias Cardoso, e fazendo parte da Comissão da Capela os Sr.s Joaquim Domingos Salvador, António Silva Ferreira, João Fonseca e Rui Salvador.
Na nova capela foi incorporada, apenas, a antiga cruz de granito do remate da fachada e a imagem de N.ª Sr.ª dos Remédios.
Em 2008 foi adquirido um relógio, colocado na fachada, com mecanismo mecânico ligado a altifalantes.
No interior simples encontram-se em peanhas as imagens de N.ª Sr.ª de Fátima, S. José, N.ª Sr.ª dos Remédios e de St.ª Luzia. Não tem retábulo, possuindo apenas um moderno sacrário raiado.
A sacristia encontra-se no tardoz da capela.
Celebra-se festa anual em honra de N.ª Srª dos Remédios no 1º Domingo de Agosto e em honra de St.ª Luzia, a 13 de Dezembro.
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Capela de São Marcos
Esta capela foi construída em 1881 por José Oliveira, continuando na posse da família que anualmente promove a festa no dia de S. Marcos.
Fachada principal em empena, constituída por silhares de menores dimensões e mais irregulares, com friso truncado no vértice para receber cruz latina com hastes florenciadas, assentes em plinto parcialmente curvo; é rasgada por portal de verga recta e moldura saliente, em cantaria, protegido por porta de madeira de duas folhas almofadadas, estando encimado por lápide irregular com inscrição: “CAPELA DE JOZE R.O. 1881″. O portal é flanqueado por dois pequenos postigos rectilíneos, com grade ao centro.
As fachadas laterais são semelhantes com pequena fresta gradeada e com vidro simples, a iluminarem a zona do altar-mor. Fachada posterior cega, rematada em empena com friso pintado de branco. Interior com paredes em alvenaria de granito aparente, com as juntas preenchidas a cimento, com tecto de madeira em masseira, formando apainelados simples, com florões dourados nos ângulos, com pavimento em calçada irregular, formando elementos geométricos.
Na parede testeira, o retábulo-mor, assente em sotobanco de alvenaria de granito, ladeado por dois armários de apoio, também sobre base de alvenaria; é de talha pintada de branco e marmoreados fingidos, de planta recta e um eixo, definido por duas colunas de fuste liso e capitéis coríntios, rematadas por urnas floridas. Ao centro, nicho de perfil contracurvado, com o fundo pintado de azul e moldura dourada, contendo mísula; está flanqueado por duas mísulas de madeira, encimadas por baldaquinos. A estrutura remata em cornija e espaldar de perfil curvo, ornado por enrolamentos de acantos, uma coroa e com um resplendor no topo.
No nicho central encontra-se a imagem de N.ª Sr.ª de Montesserrate e nas mísulas laterais uma imagem de S. Pedro e outra de S. Marcos. Estas duas últimas imagens são de fabrico popular apresentando formas despropocionadas, principalmente nas enormes mãos. Curiosamente a imagem de S. Marcos tem vestes clericais e como atributo o Touro, que é atributo de outro evangelista, S. Lucas, e não o leão, próprio deste santo.
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Quinta da Aveleira
A casa, provavelmente do séc. XVIII, apresenta uma planta em L, composta por dois corpos rectangulares, formando entre os dois corpos um pátio interno, protegido por alto muro, rasgado por portal de aparato, de decoração tardo-barroca.
Evolui em dois pisos e é muito simples, rasgado, na fachada principal por vãos em arco abatido e emoldurados a cantaria, sendo, nas demais, rectilíneos.
Encontra-se muito adulterada por amputações na fachada lateral esquerda, que levaram ao desaparecimento dos anexos agrícolas.
Do conjunto, distingue-se a fachada principal, marcada por portão de aparato, de acesso ao pátio, em arco abatido e moldura recortada, com várias volutas e concheados; o pano de muro que o ladeia está rematado por moldura de perfil ondulado, interrompida por volutas.
O corpo virado ao exterior, apresenta janelas em arco abatido e molduras salientes, rematadas, inferiormente, sobre avental. Sobre o corpo principal, surge ampla chaminé, feita, provavelmente, no início do séc. 20, ostentando uma pedra de armas.
As armas são as dos Castilho e dos Sarmento. As armas dos Castilho são um castelo rematado por uma flor-de-lis e ladeado por dois galgos coleirados levantados, afrontados e presos por cadeias às ameias do castelo. As armas dos Sarmento são treze besantes de ouro, postos 3,3,3,3 e 1. O timbre do brasão é uma águia em chefe com um bastão suspenso sobre o escudo.
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Alminhas e Nichos
As Alminhas! O que são?
Podemos dizer que as Alminhas são a materialização plástica de uma das mais singulares, fortes e duradouras manifestações da piedade cristã de raiz popular; a devoção às Almas do Purgatório.
(Correia, 2002, p. 5)
Este culto popular tem as suas raízes na crença cristã da existência do Purgatório. Com a definição do dogma da existência do Purgatório no Concílio de Trento em 1563, esta devoção ganhou ainda mais força junto do povo cristão.
A manifestação desta devoção materializou-se de diversas formas, quer através da criação de Irmandades das Almas erectas em Igrejas e Capelas, quer através da erecção de pequenos monumentos como as Alminhas, quer, ainda, através da Encomendação ou Amamentação das Almas na Quaresma, entre outras manifestações.
As Alminhas assumem diversas formas, tanto podem ser simples blocos graníticos com uma cruz esculpida, ou um pouco mais trabalhadas com um nicho e uma inscrição em azulejo ou com uma caixinha de esmolas.
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Cruzes no caminho Ribeira-Cemitério
Entre a Ribeira e o cemitério em Real existiam ao longo do caminho várias cruzes onde os cortejos fúnebres paravam para se rezar as orações. Ainda hoje se conserva duas dessas cruzes: Uma junto ao entroncamento da estrada dos Abogões em cima de um muro, e outra na estrada municipal, ao Carvalhal.
Na década de 90 do século XX a Irmandade das Almas de Real decidiu reconstituir o caminho dos mortórios colocando cruzes à beira da actual estrada municipal 615 entre a Ribeira e o cemitério da freguesia.

Cruz esculpida numa estela. Ao lado uma cruz colocada na déc. 90 do séc. XX pela Irmandade das Almas
Alminhas ao “João Gomes”, R. Cónego Jaime
As únicas alminhas que existem dentro de uma povoação localizam-se ao “João Gomes”, junto da actual sede da Junta de Freguesia. Actualmente esta zona é conhecida por “Zangomes”, mas na documentação dos séc.s XVIII-XIX surge como “João Gomes”, por isso preferimos manter a designação antiga.
É uma estela de remate semi-circular na parte superior. Numa das faces tem esculpidos em baixo relevo os contornos de uma cruz trifoliada.
Alminhas ao Maninho
Num entroncamento junto ao Maninho, no caminho que sai do cemitério para a Fontedeira existem outras alminhas.
Estas alminhas são mais trabalhadas apresentando uma cruz trilobada sobre um nicho, ambos em alto relevo. Por baixo uma cartela que talvez teria a inscrição P.N. A.M. (Pater Nostro et Ave Maria) ou uma data.
Nicho do Santo António
Na rua com o mesmo nome, encrustado numa parede está um nicho com um dos santos mais populares de Portugal, o Santo António. O nicho tem a forma de uma concha, muito semelhante a outro existente em Quintela de Zurara dedicado ao mesmo santo. Na mesma parede, ao lado, encontra-se uma lápide com a data “1726”, que poderá estar relacionada com o nicho.
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Cruzeiros
Os cruzeiros são elementos que atestam a crença na religião cristã, símbolo das gentes e da maioria dos povos ocidentais, são testemunho da fé dos portugueses.
Localizados em algumas praças, caminhos, no meio da povoação, nos cruzamentos de caminhos, ou nos planaltos, apresentam as mais variadas formas em distintos materiais regionais e com diferentes tipos.
Na nossa freguesia existem dois cruzeiros, um em cada povoação, e um terceiro, mais recente, no alto da serra, todos eles em granito.
Cruzeiro de Real
Localizado no centro da aldeia está assente em plataforma quadrangular de dois degraus escalonados, o superior com focinho saliente, onde assenta soco paralelepipédico, tendo na face principal, virada a Este, uma data inscrita “D. 1766″.
Sobre este, surge um plinto galbado, ornado nas faces Este e Oeste, com uma vieira limitada por duas meias canas que formam duas volutas na parte superior, rematado por tabuleiro saliente, onde surge a coluna de fuste estriado, encimado por anel e capitel sub-esférico, decorado por quatro vieiras inseridas em volutas; sobre este, surge uma cruz latina monolítica, de hastes cilíndricas e remates fuselados.
Cruzeiro da Ribeira
Localizado fora da aldeia, na Lameira junto ao caminho que seguia antigamente para Real.
Assente em plataforma quadrangular, onde surge um dado de faces lisas, encimado por plinto galbado, onde assenta uma cruz latina. O dado apresenta na face Norte um recorte onde estaria uma figura, talvez, alusiva às almas do purgatório.
Recentemente, no âmbito das obras do Parque da Lameira, foi delimitado por um círculo de pedras de média dimensão.
Cruzeiro do Alto da Serra
Apesar de este cruzeiro estar localizado na freguesia de Castelo de Penalva, segundo a actual versão da Carta Administrativa Oficial de Portugal, ele tem um significado especial para a freguesia de Real. Assim, decidimos incluí-lo neste trabalho.
Está assente num afloramento granítico, consolidado com cimento, onde assenta uma cruz latina, formada por três elementos de cantaria, que criam as hastes da cruz, sem qualquer decoração.
A história deste cruzeiro é-nos narrada pela correspondente de Real no jornal “O Penalvense” no n.º 109, Abr./Mai. de 1991:
Todos vêem no alto da serra um cruzeiro mas talvez poucos saibam a sua história. Foi talvez há perto de 50 anos que lá foi colocado e custou a módica quantia de 400$00.
José Violante, natural do Real onde viveu muitos anos sofria de doença crónica das vias urinárias, pelo que tinha de andar sempre algaliado. Como era caçador andava sempre por essas serras fora, um dia, esqueceu-se da algália e teve uma crise com dores muito fortes e sentiu-se tão mal que aflito e sem se pode arrastar, pediu a Deus que o aliviasse e o ajudasse a voltar para casa, em sinal de agradecimento ali naquele mesmo sítio colocaria um cruzeiro, e cumpriu a promessa. E lá está um sítio de onde se avista uma paisagem deslumbrante.
Documentação
TT – Torre do Tombo
Dicionário Geográfico, vol. 31, n.º 22, fls. 105-112
Arquivo Histórico do Ministério das Finanças – Livros de Desamortização e Foros
ACMF – Arquivo Contemporâneo do Ministério das Finanças
Comissão Jurisdicional dos Bens Cultuais VIS/PDC/ARROL/009 – Real
Bibliografia
ALVES, Alexandre (1998) – Instrução e relação da catedral da cidade de Viseu e mais igrejas do Bispado para a Sagrada Congregação – A Diocese de Viseu no tempo de D. João de Melo (1673-1684). Beira Alta. Viseu. 57:1-2, pp. 39-73.
BALESTEROS, Carmen (2006) – Cruciformes; Mezuzot e Rasgos Longitudinais. In SARAIVA, António, Coord. Marcas mágico-religiosas no centro hisórico. Guarda: Pólis e Câmara Municipal da Guarda.
CARVALHO, Liberto (1995) – Património Histórico Cultural. O Penalvense. Penalva do Castelo. Out. 1995, p. 2
CARVALHO, Liberto (1997) – Real: Que símbolos são estes?. Renascimento. Mangualde. 236, de 01-09-1997, p. 12.
CORREIA, Alberto (2002) - As Alminhas. Boletim Informativo do Núcleo de Estudos da População e Sociedade. Guimarães. 26, pp. 5-7.
EUSÉBIO, Maria de Fátima dos Prazeres (2005) – A talha barroca na diocese de Viseu. Porto: Faculdade de Letras da Universidade do Porto. (Dissertação de Doutoramento em História de Arte).
FERNANDES, Paulo Celso Monteiro (2002) – Território, elites e governança : Penalva do Castelo em finais do Antigo Regime. Lisboa: s.n.. (Dissertação de Mestrado em Cultura e Formação Autárquica apresentada na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa)
LEITE, Fernando Barbosa Barros (1997) – Concelho de Penalva do Castelo: recolha bibliografica/contributo para uma monografia. Compil. de Paulo Celso Monteiro Fernandes. Penalva do Castelo: Câmara Municipal de Penalva do Castelo.
MARQUES, J. A. de M. (2000a) – Sepulturas escavadas na rocha da região de Viseu. Viseu: [s.n.]
Fichas de Inventário
IHRU, Sistema de Informação do Património Arquitectónico
- Capela de S. Marcos / Capela de Nossa Senhora de Monserrate
- Igreja Paroquial / Igreja de S. Paulo
- Capela de Nossa Senhora dos Remédios / Capela de Santa Luzia
- Capela de S. Marcos / Capela de Nossa Senhora de Monserrate
- Solar dos Castilhos / Quinta da Aveleira
- Cruzeiro de Real
- Cruzeiro do Alto da Serra
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